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Bullying

Eu tinha 11 anos de idade e estudava em um colégio de freiras em Camaçari-BA. Meu cabelo era meio ruivo e meu rosto cheio de sardas. Isso fazia com que algumas das minhas colegas me enchessem a paciência que era curtíssima e às vezes me dava fama de garota malvada. Algumas meninas tinham medo de mim e não passavam nem perto.

Eu era uma verdadeira dinamite, pronta para explodir a qualquer momento. Com isso, tudo que acontecia era minha culpa, mesmo que não fosse. Se alguém levasse uma pedrada e eu estivesse por perto, adivinha quem era punida? A “santinha” aqui, mas não era por menos.

Baderna era comigo mesmo! Eu sempre começava alguma guerra na sala, quando não era de biscoitos era de bolinhas de papel e usava a caneta ou uma borrachinha como arma – aquelas de amarrar dinheiro – fazia discursos em cima da mesa da professora que um dia me pegou, mas eu sempre tinha uma desculpa para tudo.

– O que está fazendo aí menina? – Perguntou-me a professora.

– Professora, estou pedindo para o pessoal parar com essa algazarra, mas não estou conseguindo! – Respondi e nada aconteceu.

Fora os pedaços de pele que eu carregava pra casa debaixo das unhas por alguma briga que eu me envolvia.

O pior que acontecera até ali – pelo menos que eu me lembre – foi quando subia a escada – que dava para o segundo andar – atrás de uma freira e levantei o habito da irmã bem devagar, sem que ela percebesse, e andei quase todos os 30 degraus daquele jeito mostrando aquela visão do inferno para os que vinham atrás. Não percebi que lá no começo da escada subia outra freira que era, pro meu azar, a supervisora do colégio.

– Direto para a diretoria! – Gritou a irmã.

– Mas irmã, ela ia pisar no habito e cair, eu só estava evitando que alguma coisa acontecesse a ela! – Respondi, mas meu argumento não teve efeito. Fui para a diretoria.

Todas as vezes que ia lá – e não eram poucas – sempre dizia à diretora: “a senhora está mais linda a cada dia!” e a diretora se achava né? Ela era bonita mesmo, mas eu exagerava e ela quase sempre perdoava os meus “crimes”. Desta vez, apesar da minha pena ter diminuído bastante, não tive como advogar melhor. Levei uma semana de suspensão. Melhor do que a expulsão que pretendiam.

Nadja era uma garota linda, cabelos negros muito brilhantes e lisos que corriam pelas costas até abaixo da cintura, parecia uma índia. Aquele cabelo era o seu orgulho. Vivia balançando pra lá e pra cá. Isso chamava muito a atenção das outras crianças. Ela tinha muitos fãs apaixonados.

Filha única, Nadja sempre era levada pelos pais para o colégio que no final da aula voltavam para buscá-la. Era muito bem cuidada e bastante conhecida no colégio.

Duas irmãs gêmeas, maiores que as outras colegas, sempre acompanhavam Nadja como se fossem guarda-costas e às vezes outras garotas aumentava aquela turminha – Nadja tinha um grande defeito: era muito arrogante e falava o que queria das outras garotas sem que ninguém reagisse.

Sempre me cumprimentava assim: “oi surubim”, “oi cabelo de fogo”, “oi amarela”, “olá pintada” e outras coisas parecidas.

Como eu era bravinha, isso só acontecia quando ela estava acompanhada de suas protetoras. Eu deixava que aquilo passasse sem reação da minha parte, mas ia se acumulando no meu pequeno depósito de paciência que já quase não tinha mais espaço.

Naquele ano estávamos nos preparando para a nossa primeira comunhão e o Padre que nos dava aulas dizia como é importante a compreensão e a paciência. Eu fazia o maior esforço para assimilar aquilo. Contava de um a dez quando alguém fazia algo comigo ou me culpava de alguma coisa que eu não tinha feito. Nem sempre conseguia.

Faltando uma semana para a primeira comunhão, o Padre – já sabendo da minha fama de bad girl – me chamou para uma conversa.

– Eu já ouvi muito falar de você, então vou te observar a semana toda para ver se está pronta para esse passo tão importante na sua vida. Verei se merece. – Disse o Padre a mim.

– Padre, pode até andar atrás de mim que vai ver como sou outra pessoa. – Estava até com uma auréola acima da minha cabeça quando respondi a ele.

Saí daquela conversa disposta a, pelo menos naquela semana, mudar totalmente minhas atitudes. Não queria que nada desse errado. Queria que todos sentissem orgulho de mim.

Nos primeiros dias tudo bem. Como de costume a Nadja passava por mim e “e aí amarela?”… “tudo bem surubim? Cuidado que a semana santa está chegando, hein!”.

Eu estava agüentando bem às provocações de Nadja, mas aconteceu uma coisa inesperada:

Faltavam apenas dois dias para a minha primeira comunhão e eu estava passando pelo teste do Padre com louvor. Tinha virado uma santa mesmo, digna de um manto e uma coroa! O orgulho do colégio. Não briguei com ninguém, andava de bem com a vida, mas naquele dia por algum motivo, as irmãs cangaceiras não foram para o colégio e a infeliz da Nadja, acompanhando minha submissão por todos aqueles cinco dias – pra mim pareciam cinco meses – resolveu se atrever: “tudo bem pintada?”. Quase avancei nela, mas me lembrei do que o Padre me disse: “não bata em ninguém, não faça guerras na sala, não suba na mesa da professora, não faça isso, não faça aquilo” e pensei: “bem, não vou fazer nada disso!”.

Nessas situações eu agora contava de um a dez, mas naquela hora eu parei no três com muita raiva e pensando no que ia fazer com Nadja. Eu não podia deixar passar a oportunidade de pega-la sem a sua equipe de segurança. Pensei muito e não consegui achar nada que pudesse fazer sem desagradar o Padre. Acabei me esquecendo daquilo.

Não tive o ultimo horário. Fui à cantina do colégio e comprei um salgado e um suco, como a atendente não tinha troco, me perguntou se poderia me dar balas no lugar.

– Tem chiclete Ploc? – Perguntei.

-Tem. – Respondeu.

-Então pode ser.

Ele me deu uns cinco de troco. Acabei de comer o lanche e abri um chiclete. Acabou o doce e eu abri outro, mas sem jogar aquele fora, e assim foi.

Eu andava com um capetinha de um lado e um santinho do outro. O santinho costumava evitar muita desgraça, mas ele não tinha um preparo físico muito bom e nem sempre conseguia me acompanhar.

Eu estava com todos os cinco chicletes na boca degustando aquela delicia quando a Nadja passou por mim: “oi surubim!”.

Naquela hora o capetinha resolveu me beliscar e mais uma vez o santinho não estava por perto, deve ter ficado por algum degrau daquele enquanto eu descia a escada.

Eu era pequena, o sangue não tinha muito espaço pra correr e subiu direto pra cabeça. Sem nem pensar, quando ela me deu as costas, eu tirei aqueles chicletes mascados da boca, que ocupou metade da minha mão e esfreguei bem esfregado no topo da sua cabeça.

Com aquele negócio grudado na cabeça, ela ficou parecendo o Mark Spitz de touca rosa, mas de cabelo comprido, sem o bigode e faltando as sete medalhas que conquistou nas olimpíadas de Munique.

Quanto mais ela tentava tirar aquilo, mais a meleca se espalhava nos cabelos. Algumas pessoas tentavam ajudar, mas a coisa ia só piorando.

Ela chorava sem parar.

Uma freira pegou Nadja pelo braço e saiu arrastando para a secretaria. Ficaram lá por uns 15 minutos.

A cena seguinte foi medonha: a garota saiu parecendo que tinha sido escalpelada por algum índio do oeste americano na época da corrida do outro. A freira tentou tirar o chiclete na tesoura e ficou assim: no topo da cabeça quase não tinha mais cabelo e ainda tinha muito chiclete, na nuca o cabelo ainda ia até embaixo. Ela estava de dar medo.

Eu já estava ficando preocupada. Quando fiz aquilo não pensei que o bolo ficaria tão grande. Errei feio na porção dos ingredientes da receita.

Todos pararam pra olhar aquela aberração. Olhavam espantados.

No meio da confusão o sino tocou avisando o final da aula e sai mais que depressa rumo à minha casa.

No dia seguinte uma mulher entrou no colégio de mãos dadas com uma garota careca. Custei a reconhecer Nadja, principalmente pela humildade. Caminhava olhando para o chão.

Senti-me vingada e ainda obediente ao Padre: “isso o Padre não falou que eu não podia fazer” – pensei.

Mal começou a aula e já mandaram me chamar na diretoria.

Lá se encontravam a diretora, o Padre, Nadja e aquela mulher que a acompanhava na entrada que agora eu soube que era a sua mãe. Todos olhando pra mim.

Fiquei apavorada e não soube me defender. Calei-me e me dei mal.

Para a minha decepção, o Padre não entendeu como eu pensava e me impediu de fazer a minha primeira comunhão naquela semana.

No domingo, muito inconformada com aquilo e com medo que minha a mãe descobrisse que eu não faria a primeira comunhão, fui à missa como previsto antes do episódio “Chiclete Ploc”.

Eu estava de uniforme mesmo sabendo que não iria participar daquilo, mas com alguma esperança de passar despercebida e, quem sabe, ir até o fim da cerimônia para receber a minha primeira comunhão. Eram muitas crianças e eu só uma no meio delas.

Entrei na igreja, já lotada, pela porta de trás. Fui chegando bem devagar, andando a caminho do altar pela lateral da igreja e fui me metendo entre os garotos da segunda fileira de cadeiras bem em frente ao Padre, que ainda não tinha me visto. Como estavam todos com o uniforme do colégio, quase não fui notada por ninguém.

Eu estava com uma raiva danada do Padre que não tinha me explicado com mais detalhes os meus deveres de católica, ainda mais depois do esforço sobre-humano que fiz naquela semana para merecer estar ali.

Um garoto que estava bem à minha frente deu uma olhadinha pra mim e comentou alguma coisa com o colega do lado e eles começaram a rir baixinho, só balançando os ombros. Observei que o garoto era menor que eu – devia ter uns 10 anos – e que usava um short que era preso apenas por um elástico na cintura, que fazia parte do uniforme dos meninos.

O capetinha, aproveitando mais uma vez a ausência do santinho que tanto me aconselhou naquela semana, começou a me atentar. O danado do santo devia ter ficado fora da igreja com medo de tomar uma bronca de algum santo mais graduado por ser tão incompetente comigo.

Esperei que todos se levantassem, puxei bem devagar a cadeira do garoto que sentava à minha frente e, sem dar tempo dele reagir, abaixei o short do moleque junto com a cueca até os pés e pisei entre um pé e outro do menino. Com a reação barulhenta do garoto, todos olharam e riram muito alto do pobre garoto, nem o Padre resistiu e dava gargalhadas vendo o garoto desesperado, nu e tentando puxar a roupa pra cima. Estava peado que nem uma galinha daquelas que se compram vivas nas feiras das cidades do interior e acabou caindo pela falta de equilíbrio. Aquele menino nu, caído no chão da igreja e pulando que nem uma piaba no anzol foi mais engraçado ainda. Quando acabou a graça para a maioria – isso demorou uns 5 minutos – o sermão do Padre se voltou sobre a Santa aqui: “você outra vez?”. A missa acabou ali e a primeira comunhão dos alunos teve que ser adiada.

Mal cheguei em casa e o Padre bateu na porta. Explicou pra minha mãe que eu não faria a primeira comunhão junto com meus colegas e ainda falou o que tinha acontecido na igreja. Notei que ele ainda tentou falar de uma maneira bem suave temendo pela minha integridade física, mas para a minha mãe, mesmo com aquela suavidade toda do Padre, já era o bastante e olha que ela não sabia nem um décimo das coisas que eu fazia.

O Padre me excomungou da sua igreja diante da minha mãe. Proibiu-me mesmo de assistir às suas missas se eu estivesse desacompanhada de um de meus pais ou avós.

Em casa levei um castigo daqueles. No colégio tomei outra suspensão que me faria perder o ano pelas faltas que eu teria e só não aconteceu porque logo depois voltamos para Dias D’Avila e terminei o ano letivo lá.

Ainda hoje não tenho a primeira comunhão, mas já não vejo tamanha importância quanto naquela época.

Nunca fiquei sabendo o nome do garoto da igreja e, pelo ângulo que o vi, nem o reconheceria se cruzasse com ele algum dia.

Quanto à Nadja, provavelmente mudou a maneira de tratar as pessoas que a rodeavam.

De uma coisa eu tenho certeza: assim como eu, ela nunca deve ter se esquecido do que aconteceu naquele ano.

 
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Publicado por em Sexta-feira, 21 Outubro 2011 em Crônicas

 

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A Meia de Lacinho

Simone era uma garota muito bonita. Tinha acabado de completar 18 anos, 1,72m, corpo escultural. Parecia feita à mão, encomendada por algum futuro sortudo que seguiria a vida ao seu lado. Se tivesse algum defeito só se fosse por dentro, com exceção do cabelo que era um pouco abaixo dos ombros, mas era muito crespo. Quando não visitava o salão para fazer uma chapinha, tinha que prendê-lo pra não estragar a beleza do restante da escultura.

Foi a primeira amiga que eu tive em Araguari, onde já morava há mais de 2 anos.

Naquele dia ela me fez uma visita e me convidou para acompanhá-la ao show do Chitãozinho e Xororó que teria aquela noite na principal praça da cidade.

O show foi patrocinado por um partido político na época das eleições de 94, acho.

Na hora marcada ela chega a minha casa com uma roupa muito chamativa: uma saia muito curta, uma blusa tomara que caia e uma meia 7/8s de lã bem fina com um lacinho na parte de trás – mostrando só uns 10cm da sua coxa entre a saia e a meia – que fazia com que aquela farda ficasse ainda mais reluzente.

– Simone, você está a fim de ver o show ou de ser atacada por um tarado no caminho? Disse a ela.

– Que isso? Não estou tão chamativa assim!

– Faz o seguinte: tira pelo menos essa meia que acho que vai melhorar muito e ainda ficará linda! – Sugeri.

– Ah não, custei a encontrar uma roupa pra ir ao show, experimentei um monte, mas eu não me senti bem em nenhuma, adorei essa e será assim irei, exatamente assim! Não tiro nem o anel!

Com esse argumento eu não tive como discutir mais. Se ela se sentia bem, quem sou eu para dizer que ela estava colocando o transito tranqüilo da cidade em risco? Eu juro que tentei, mas eu não queria estragar a noite que nem tinha começado e saímos para a nossa caminhada rumo à praça.

No caminho, de 5 em 5 segundos uma buzina, de 15 em 15 segundos um “ô gostosa!”, de 20 em 20 segundos um “a nora que mamãe quer!”… Essas coisas idiotas que alguns homens adoram dizer e que odiamos na maioria dos casos.

Eu, não agüentando mais aquela situação, meio envergonhada, deixei ela se distanciar um pouco de mim, abri minha bolsa, pensando em um plano para apagar um pouco daquele brilho, olhei o que estava dentro: maquiagem, alguns remédios, caneta, uma caderneta e outras coisas mais, pensei…pensei….pronto!

Passamos na casa de uma amiga da Simone, que morava ali mesmo de frente à praça, e não tinha ninguém em casa. Fomos nos misturar àquela multidão que lotava aquele lugar – por sorte ainda ilesas.

A casa da Mara – a amiga de Simone – tinha um recuo de uns 4m da calçada, onde havia um tapete de grama e uma passarela cercada por um bonito jardim nos levava a um alpendre. Não tinha grades e nem muro na frente. Era uma casa antiga e rústica. Na entrada do alpendre um muro de um metro de altura e uma grade no centro com a mesma altura. As paredes, que há muito tempo não viam uma reforma, tinham umas “feridas” no reboco que iam até o tijolo – de mais ou menos 10 ou 15cm de diâmetro e outras um pouco maiores.

Ainda temendo que a platéia achasse mais interessante aquela visão dos céus do que a dupla que se apresentaria ali, resolvi colocar em prática o plano arquitetado rapidamente durante a caminhada.

– Vamos comer um cachorro-quente? Convidei Simone que topou na hora.

– Quanto custa um cachorro-quente e um refrigerante? Perguntei ao vendedor

– Dois “merréis” o cachorro-quente e um o refrigerante! Respondeu o vendedor.

– Ih Cris, me esqueci de pegar dinheiro, só tenho dois Reais. – Disse Simone.

– Pode deixar que eu pago e depois você me dá o dinheiro. – Falei.

Abri a bolsa para pegar o dinheiro e junto peguei disfarçadamente um medicamento manipulado que eu parei de tomar devido às reações que ele costumava dar às pessoas. Quando tirei a mão da bolsa, na palma eu trazia o conteúdo da capsula do remédio e com as pontas dos dedos o dinheiro. A cápsula vazia que guardava o medicamento ficara no interior da bolsa.

O cara preparou os sanduíches e me entregou junto com os refrigerantes.

Eu segurava com dificuldade os sanduíches e um dos refrigerantes em uma mão e o outro refrigerante com a mão criminosa aberta sobre o copo.

Entreguei o refrigerante “batizado” à Simone e um dos cachorros-quentes. Ficamos ali comendo aquilo e conversando.

O show começa depois de uma meia hora e estávamos ali, pulando no meio daquela multidão.

De repente a Simone me puxa pelo braço desesperada. Aquele tranco quase me derrubou no meio daquela gente.

– Cris, aquele cachorro-quente não me fez bem…tenho que ir ao banheiro urgente!!!!

– Vamos no banheiro ali ó! – Falei apontando pro final da praça.

– Não vou conseguir chegar lá, tem muita gente e a coisa tá feia aqui…vamos na casa da Mara que é mais perto!

– Mas não tem ninguém lá! – Respondi.

– Já deve ter chegado alguém! – Ela falou.

Com ela me puxando no meio daquele povo saímos dali rapidamente.

Quando chegamos à casa, ela batia na porta como se fosse derrubá-la, estava mesmo desesperada.

– Vai ser aqui mesmo, fica aí vigiando pra ver se não vem ninguém.

Eu, sem acreditar naquilo disse:

– Você não vai fazer isso não né?

la nem ouviu o que eu falei. Nunca vi uma pessoa se despir tão rápido – apesar de que  ali não tinha muito o que tirar. Desceu o shortinho que estava em baixo da saia e em frações de segundos e no meio do caminho à posição de cócoras, disparou uma coisa que tinha uma velocidade surreal e ficou pregado na parede. Aquele Tomahawk acertou o alvo com tanta precisão que encheu de cachorro-quente, muito mal processado, três daqueles buracos na parede que, para uma reforma naquela parte, bastaria jogar uma tinta e pronto.

Ela, aproveitando que estava naquela posição, fez um xixizinho também. Xixizinho não porque aquilo merecia uma placa daquelas amarelas: “chão escorregadio”… Molhou todo o alpendre da amiga.

Depois de uns 3 minutos, já aliviada, ela diz:

– Vê se acha alguma coisa aí pra eu me limpar.

– Tá louca? – Como se eu precisasse perguntar aquilo – Não vou pegar nada do chão não!

– Como eu vou fazer Cris?

Aquela pergunta era o arremate do meu plano.

– Limpa com a meia!!

– Ai meu Deus! minha meia novinha! Falou Simone.

– Anda logo aí que estamos perdendo o show. – Falei tentando não comprometer meu plano que ia tão bem até ali.

Ela ficou meio contrariada, mas aceitou minha sugestão.

Voltamos pro meio da multidão, agora com um visual mais comportado de Simone e aproveitamos o resto daquele show.

No caminho de volta, ela estava feliz por ter visto os seus ídolos, e rindo da caganeira que lhe pegara de surpresa.

– Acho que foi a emoção de ver o Xororó! Falou.

– Ainda bem que você não me ouviu lá em casa, senão teria que voltar toda cagada. – Falei.

Rimos muito – deve ter imaginado a situação. E eu mais ainda, mas meu motivo era outro.

Cheguei em casa até com dor no abdômen pelas boas risadas que demos.

Ela nunca suspeitou do que fiz e continuamos amigas até eu me mudar pra Uberlândia alguns anos depois.

Não tenho mais contato com Simone, apesar de ter notícia de que ela se casou e também mora em Uberlândia.

Sinto saudade daquela época. Quem sabe um dia ainda nos encontraremos para relembrar aqueles momentos, talvez eu até conte pra ela o que fiz…quem sabe…

 
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Publicado por em Quinta-feira, 14 Abril 2011 em Crônicas

 

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